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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Presença

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo...Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

 Mário Quintana

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Queria ter lhe conhecido antes, muito antes, para que nenhum de nós dois tivesse medos ou cicatrizes...
Queria ter estado com você quando seu coração descobriu
que era amor, quando seu corpo descobriu o que era desejo.

E antes que pudesse sofrer eu estaria do seu lado, amando-lhe, entregando-me e juntos poder ter aprendido as lições da vida e do coração...
Queria ter lhe conhecido muito antes, quando suas esperanças começaram a nascer, quando seus sonhos ainda eram puros e seus ideais ainda ingênuos... pena termos nos encontrado só agora, já com o coração viciado em outros amores, com uma imagem meio falsa do que é
felicidade, do que é entregar-se...
Queria ter lhe encontrado antes, muito antes.. numa nova vida, num outro tempo em que não precisássemos temer o nosso futuro, nem nossos sentimentos...
Meus erros. É estranho e é como um ciclo. As pessoas erram demais, erram comigo e talvez, eu também erre com elas mesmo sem querer… acho que errar faz parte de nós. Sim, errar faz parte de mim e se tornou algo mais importante do que qualquer acerto, porque todos eles me trouxeram uma lição. Acertar é simples, você comemora seu momento de felicidade e fala de queixo erguido que, enfim, acertou. Difícil mesmo, é ver alguém falando do próprio erro com orgulho, confesso que não falo com orgulho, mas falo… os erros não devem ser escondidos e sim entendidos para não serem cometidos de novo. Percebi que sou apaixonada por meus erros, pois todos erram, e admitir os próprios erros é uma espécie de coragem que poucos tem. Cada erro causa em mim uma parte nova, um acerto.Tem que ser assim, errar e se levantar… a cada queda, se levantar mais forte! O erro não é ruim, é uma chance. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Acrilic On Canvas

É saudade, então e mais uma vez de você fiz o desenho mais perfeito que se fez, os traços copiei do que não aconteceu, as cores que escolhi entre as tintas que inventei misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos de um dia sermos três, trabalhei você em luz e sombra...
Legião Urbana.
E era sempre, não foi por mal, eu juro que nunca quis deixar você tão triste. Sempre as mesmas desculpas e desculpas nem sempre são sinceras, quase nunca são. 
Preparei a minha tela com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar. A armação fiz com madeira da janela do seu quarto, do portão da sua casa fiz paleta e cavalete e com lágrimas que não brincaram com você destilei óleo de linhaça, e da sua cama arranquei pedaços que talhei em estiletes de tamanhos diferentes e fiz, então, pincéis com seus cabelos.
Fiz carvão do batom que roubei de você e com ele marquei dois pontos de fuga, a rabisquei meu horizonte, e era sempre, não foi por mal, eu juro que não foi por mal, eu não queria machucar você!
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez, e era sempre, sempre o mesmo novamente, a mesma traição...
Às vezes é difícil esquecer: "Sinto muito, ela não mora mais aqui".
Mas então, por que eu finjo que acredito no que invento? Nada disso aconteceu assim, não foi desse jeito, ninguém sofreu. É só você que me provoca, essa saudade vazia tentando pintar essas flores com o nome de "amor-perfeito" e "não-te-esqueças-de-mim".