Quem sou eu

Minha foto
"Precisamos estar sempre testando novas opiniões e atraindo novas impressões."

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê.
O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.
E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro.
Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos.
Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo..

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Definitivo.

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos 
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado,  e não compartilhamos. 

Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:
"Se iludindo menos e vivendo mais!" A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...

Drummond.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ela não vai te chamar no msn e dizer que sentiu a sua falta. Provavelmente, ela vai entrar e sair de 10 em 10 segundos, até você a chamar. Ela também não vai ficar te ligando ou te mandando mensagens, mas, se ela responder às suas, considere-se sortudo. Ela não vai chegar e te abraçar na frente de todos os seus amigos, ela vai esperar que, no meio dessas conversas em grupo, você apenas passe o braço pelo ombro dela. Faça isso, e eu te garanto que ela não irá dormir de noite. Na hora da despedida, dê um beijo na testa dela, ou seja o último a largar o abraço. Enquanto ninguém estiver vendo, sussurre palavras ao ouvido dela, pegue na sua mão. Olhe para bem dentro dos olhos dela, eles estão brilhando, não estão? Não espere que ela diga que o ama. Ela não o fará. Provavelmente, ela vai te xingar e dizer que nunca conheceu alguém tão chato quanto você, e depois disso, ela rirá. Querido, se ela fizer isso, meus parabéns, você acaba de ganhar seu coração.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O não.

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."      (CL)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Passa.

Sei que vai passar, sempre passa, você vai se entrega ao prazer que a vida tem pra te dar, se envolve e sente como se fosse a única vez, a única paixão e o início de um ciclo amoroso pela vida, mas não, passa, sempre passa. Depois? O silêncio, um longo e triste silêncio que se alastra por dentro, até chegar essa mesma sensação onde sinto a alegria que todos sentem na noite. Às vezes sinto vontade de me entregar, gritar até todos ouvirem que eu amo alguém mas não sei como, não sei acreditar nessa possibilidade de amor, mas queria, sério!
E essa coisa passageira, esse passageiro em que pego carona por uns dias me rodeia em momentos de luz, em que minha mente não fica sozinha de novo, mas sim, com alguém de que eu estou "gostando" nesse tempo que ele continua comigo. Mas eu acordo no dia seguinte e passa, não sei explicar, sei que não me lembro e não quero saber o que aconteceu, me sinto presa em não querer sofrer, em magoar mais alguém em que já magoei, ou talvez em prender um coração só por mimo.
Enquanto isso escrevo na carona desse passageiro, mas não sei até quando vou andar com ele, não sei o quanto vai durar, talvez um ano, seis meses, ou até amanhã. Mas aproveito enquanto há tempo pra sentir alegre. 

domingo, 18 de setembro de 2011

Eu estou confusa, estranha, já não sei mais o que eu sinto direito. Parece que meus sentimentos estão misturados, estou com um certo nervosismo, estou com medo, mas ao mesmo tempo estou tranqüila, estou com um frio na barriga, não sinto fome, e tenho uma pessoa que não sai da minha cabeça. Talvez seja bobagem minha, talvez seja algum pressentimento, apesar de eu nunca ter tido um. Nem eu sei mais o que está se passando pela minha cabeça. Meus pensamentos estão bagunçados, parece que tem um peso sobre mim, mas eu não consigo descobrir onde ele está. Eu me sinto cansada, mas ao mesmo tempo, com uma certa disposição, eu me sinto mal, mas sobre outros assuntos eu me sinto incrivelmente bem. Eu tento escrever o que sinto, mas por maiores os textos, o que passa pela minha cabeça é inexplicável.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011


Eu não poderia sentir essa necessidade como mil vozes escondidas sussurrando “isso é quem você é?”. E você luta contra a pressão, a necessidade crescendo como uma onda, perfurando e insistindo, cutucando para ser alimentado. Mas o sussurro fica mais alto até gritar: “AGORA”.
E é a única voz que você ouve a única voz que quer ouvir. E você pertence a isso, a essa sombra própria a este passageiro sombrio.  
Dexter